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Santa Maria, 05 de Setembro  

Comércio usa tecnologia para se proteger da inadimplência
 

Além da consulta ao SPC, lojistas utilizam softwares que relacionam dados do consumidor

Economia estável, aumento do poder aquisitivo e, principalmente, maior oferta de crédito foram os fatores que transformaram o ato de comprar em uma atividade comum a muito mais gente nos últimos cinco anos. Enquanto em 2005 o crédito concedido às pessoas e às empresas representava somente 22% do PIB brasileiro, hoje esse percentual é de 48%.

Mais dinheiro emprestado, porém, não significa inadimplência proporcional. Dados do Banco Central mostram que as taxas de inadimplência do consumidor são, hoje, muito próximas das de 2005, quando a oferta de dinheiro era menor. O mês de maio de 2010, por exemplo, fechou com inadimplência em 6,8% das operações de crédito, o índice mais baixo desde dezembro de 2005.

No Rio Grande do Sul, considerando-se apenas o comércio, 11,5% dos consumidores estavam com parcelas atrasadas em maio deste ano, de acordo com números do Serviço de Proteção ao Crédito do Estado (SPC-RS). O percentual é inferior aos 12,2% registrados no mesmo mês de 2006.

Investir em mecanismos que evitam o calote é o segredo para manter em expansão a oferta de recursos sem comprometer a estabilidade da economia. Sem as mesmas armas do sistema financeiro para se proteger, como o recuo e o avanço nas taxas de juro, o comércio aprimorou o sistema de avaliação e gestão de crédito para minimizar os efeitos do atraso ou da falta de pagamento. Para a liberação das compras a prazo, os comerciantes vão além da consulta ao SPC e apostam em softwares que relacionam dados disponíveis sobre o consumidor com características da economia local, dimensionando com mais precisão os riscos de cada venda em prestações.

— Com o aumento do poder de compra da classe C, temos 75% de todas as vendas feitas a prazo no comércio de Porto Alegre. Por isso, precisamos de uma ferramenta que nos ajude a fazer uma gestão de risco precisa — comenta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Vilson Noer.

Empresas limitam o financiamento

Noer destaca que as empresas não estão preparadas para perder mais do que 3% do faturamento com a inadimplência dos consumidores. Ao mesmo tempo, precisam liberar crédito para vender. Segundo o presidente da CDL, os programas de análise não vetam o acesso ao financiamento, mas estabelecem limites de endividamento por perfil de consumidor – o principal não é o quanto se ganha, e sim o percentual da renda do comprador que será comprometido com as parcelas.

Fonte:Clic RBS
 
 
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