Santa Maria, 05 de Setembro
Internet vira o principal meio de acesso aos bancos
Web ultrapassa caixas eletrônicos em consultas bancárias, representando 30,6% das operações
Esqueça as filas, detectores de metal e portas giratórias. Para resolver questões bancárias, a primeira opção do brasileiro já é a internet. Em 2009, o banco virtual foi o canal de atendimento de 30,6% de todas as operações realizadas, novo recorde.
Com esse desempenho, a web ultrapassou os caixas eletrônicos, que responderam por 29,8% do movimento. Entre 2006 e 2008, os terminais de autoatendimento reinaram como principal meio de acesso às instituições financeiras.
Pesquisa anual do Banco Central mostra que o relacionamento bancário está cada vez mais longe das instalações tradicionais. Em 2009, as agências foram apenas o terceiro canal mais usado, com 23,8% das operações. Até 2006, eram a segunda via preferida, atrás apenas do autoatendimento.
Custo baixo. Para os bancos, a migração para a internet é incentivada basicamente pelo custo. O professor do Centro de Excelência Bancária da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Eduardo Diniz lembra de pesquisa do Departamento de Comércio dos Estados Unidos que mostra que uma operação via internet custa, para o banco, 1% da mesma transação na agência.
"Fica muito claro porque a internet é tão incentivada", diz o especialista.
Além do custo, o banco virtual também ganhou adeptos porque mais brasileiros passaram a ter acesso à internet. Com o aumento da renda especialmente das famílias de menor poder aquisitivo, clientes da chamada "nova classe média" passaram a ter computadores, o que aumentou o alcance do internet banking.
O professor da FGV observa, porém, que cerca de 50% dos clientes que usam o banco virtual no Brasil só consultam saldos e extratos. "Não é que o brasileiro tenha resistência, mas é que o uso só aumenta com a experiência do cliente. Há alguns anos, apenas um terço fazia transação. Hoje, já é metade. Em pouco tempo, mais clientes terão segurança para pagar contas ou transferir dinheiro", diz.
Caixa compartilhado. O levantamento do BC também mostra que bancos deixaram de instalar caixas eletrônicos de uso exclusivo, aqueles em que apenas clientes da própria instituição podem realizar operações.
Em 2009, foram desligados 339 terminais desse tipo. Em compensação, foram instaladas 7.492 máquinas compartilhadas - que podem ser usadas por clientes de vários bancos. Hoje, 54% dos equipamentos existentes são exclusivos e 46% são compartilhados. Em 2004, a proporção era de 78% ante 22%, respectivamente.
"Esse movimento reduz custos e otimiza o uso das máquinas, o que é positivo para todos. Com isso, a rede de caixas eletrônicos poderá chegar a locais que ainda não são atendidos", diz o professor da FGV.
Diniz chama a atenção para o fato de que a pesquisa do BC tem números divergentes de estudo recente da Federação Brasileira de bancos (Febraban).
Pelo levantamento da Febraban, caixas eletrônicos seguem como principal canal de atendimento, com 33,2% do movimento. A internet ficou em segundo, com 19,5%.
Segundo o BC, a desigualdade "pode ser atribuída às diferenças de metodologia".
Um terço paga conta em rede do comércio
Para pagar contas, o brasileiro opta por não entrar nos bancos e vai às lotéricas, supermercados e farmácias, os chamados correspondentes bancários. Pesquisa anual do Banco Central mostra que 35,6% dos pagamentos recebidos pelo sistema bancário em 2009 aconteceram nesse tipo de estabelecimento. O professor do Centro de Excelência Bancária da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Eduardo Diniz afirma que o número reflete especialmente o uso dos clientes de menor renda.